Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Vagarosa tarde

 

Vagarosa tarde,

quase noite,

porque vieste agora

acordar os meus olhos

vazios

para a luz preguiçosa?

 

Diabólica noite

de passos segredados,

que trazes, à solta,

nos cabelos de sombras

ou nos pingos inquietos

dum beiral incómodo?

 

Sonolenta aragem fria,

impiedosa invasora

das frinchas das casas

sem vivalma,

porque devassas a minha pele

tisnada do sol que foi?

 

Derradeira esquina,

que tropeças na avenida larga,

onde os candeeiros jorram

o caudaloso frenesim da luz,

que palavras ficaram

da correria indigesta dos dias?

 

Vagarosa tarde...

Deixa que levante ferro

deste pranto de palavras

alinhadas

e vá ao encontro do longe,

do nunca,

do jamais,

qual papagaio de papel

que o azul sugou,

como se fora ladrão

do espanto

e da loucura!

 

Deixa que me erga

suspenso e irreconhecível

na corrente

e expluda feliz

e sem cerimónia

uma chuva de risos,

como estrelas cadentes

ou flocos diminutos de neve.

 

Deixa! Deixa que morra

para renascer em cada dia

no sol pequenino

de ser teimosamente

poeta!

 

by Paulo César, em 23.Nov.2009,pelas 20h30


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publicado por Paulo César às 09:13
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2 comentários:
De Utopia das Palavras a 25 de Novembro de 2009 às 00:06
Isto é um autêntico hino, aos dias que correm em nós, exaltados, prementes de vida!
Não imagina o quanto gostei do que li!Lindo é uma palavra fácil, corriqueira, talvez...Belo!

Abraço


De Paulo César a 25 de Novembro de 2009 às 09:32
Ausenda,

Obrigado!
Tem dias assim... As palavras saiem em catadupa e definem sentimentos.

Gostei que tivesses gostado.

Xi coração!
PC


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