Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Perdidamente perdida

 

Mas hoje nem riso, nem pranto

Que o dia é dia de Sol

Viver mais um dia, que espanto!

Sou feliz! No milheiral, girassol.

 

Excerto do poema “Não trago comigo não”, de Natália Nuno

 

 

De olhos no sol invento o futuro

que de longe me chama com sua voz mansa

e de quanto passou, luminoso ou escuro,

já só tenho a saudade, só me resta a lembrança!

 

Queria, ah como eu queria tanto,

ser pardal, andorinha, estorninho ou rola

para voar e voar, e não temer parecer tola...

Mas hoje, agora, nem riso, nem pranto!

 

Vou teimosamente e em contradição

afirmando ser o que nego ser,

sabendo que sou assim, ou talvez não,

destemida no medo de me achar ou perder.

 

Saio para o mundo e grito calada

em palavras sedentas, que são isco e anzol,

e tudo o que grito é tanto e quase nada...

Que este dia de hoje é dia de Sol!

 

Continuo viva desta vida que faz

mais curto o tempo que ainda me resta

mas, por ser assim dual, sou incapaz

de negar a saudade e recusar a festa!

 

Já quase descreio da fé que acalento

e tomo o silêncio, denso, como manto,

a desejar o rumor que é meu alimento...

Para viver mais um dia, que espanto!

 

Ser poeta é ser assim? É ser doutro modo?

É sentir a dor que ainda não chegou

pressentindo a parte e vivendo o todo?

Ou será esquecer tudo o que passou

 

para morrer na clausura do próprio ego

inventando a ternura e a paz, como farol,

que lançamos ao mundo de modo cego?

Sou feliz! No milheiral sou girassol.

 

by Paulo César, em 02.Nov.2009, pelas 18h45

Para a Natália, com amizade e carinho.

 


sinto-me: estouvado
Palavras chave: , , , ,

publicado por Paulo César às 19:17
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3 comentários:
De Utopia das Palavras a 4 de Novembro de 2009 às 19:11
Bonita partilha de sílabas poéticas, construidas a partir de outras tantas palavras bonitas, como são as da Natália! Resultou um poema lindo! Parabéns!

Abraço


De rosafogo a 6 de Novembro de 2009 às 01:15
Mas como tu és mauzinho, vim logo «juro» no dia em
que me disseste que eu tinha aqui uma surpresa, mas
como ando em dia com a leitura li os poemas que colocáste a seguir e não dei com este, fizéste de propósito? Agora a Utopia deixa-me lá um comentário a dizer que já tinha lido se não fosse ela não dava por ele.
Bem fico sem palavras, tu és um espanto eu estou de queixo caído, lendo uma e outra vez.

Sem palavras para te agradecer
Olha amigo já que gostas das minhas quadras aqui
te deixo como agradecimento.

Meus dias olho de relanço
Os que passaram e os do futuro
Nos do presente descanso
Já que o passado foi duro.

Trago meus dias aos remendos
Tenho outros a começar
Daqueles de ventos horrendos
Não vou querer mais lembrar.

Será o futuro pesadelo?
Ou então tempo perdido?!
Por agora quero esquecê-lo
Um dia será resolvido.

Trago no rosto o ar
De quem saudosa regressa
Tenho ainda tanto p'ra dar
que a Vida amanhã recomeça.


E assim se confronta a vida, lembrando o passado e olhando o futuro e vivendo o presente.
Victor que sorrias sempre à vida e que ela seja
para ti generosa.

Obrigada pelo teu carinho e amizade
peço desculpa de só cá chegar agora, sabes que de
quem é a culpa de tudo isto ( dos anos), claro.

beijinho
fica bem
natalia


De rosafogo a 6 de Novembro de 2009 às 01:38
Na ansia de ler nem me apercebi do titulo que lhe deste, só agora lendo de novo e mais serenamente me apercebi, e é lindo também, agora lido de novo achei
maravilhoso, revejo-me nele por inteiro,

para morrer na clausura do próprio ego
inventando a ternura e a paz, como farol
que lançamos ao mundo de modo cego?
Sou feliz! No milheiral sou girassol.

E também papoila vermelha, gosto das cores vivas
para esquecer o negro que às vezes acarreto.

beijinho
natália


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