Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Primavera

 

Telúrica a vontade

crispa-se na rudeza das horas

e adormece ante o indício

da espera.

Os abismos da dor

entrelaçam a esperança

num abraço singular

mortífero.

Paira nas ressonâncias

do sonho-pensamento-ideia

a incerteza do amanhã,

desenhado agora

como esquisso ou aventesma.

 

Maremotos de raiva

alagam as cercanias

da consciência naufraga

e cavalgando o Adamastor

do sombrio horizonte

o ponto cardeal, que é destino,

perde-se na bruma

amante de sereias e tritões

como se fora arauto da discórdia

ou da disputa.

 

A folha caída do Outono

reinante redemoinha

na força centrífuga das correntes

antagónicas
cruzadas

e tomba mais longe.

E já morta não morre!

E já prostada e só

incorpora a força de ser

nutriente e retorna ao ventre da terra

hibernando apenas,

na esperança incontida da Primavera

anunciada!

 

Glacial o alvo manto

ou o gélido tufão soprado de norte

chegará...

Chegará ainda o tempo

cujo tempo se fará de aconchego

e noites longas...

E as palavras, ladainhas,

pedirão o Sol!

 

E o Sol virá

como as andorinhas,

como as cegonhas brancas,

como a urze do monte,

como o malmequer do campo,

como o intenso amarelo da flor das mimosas...

 

Virá mesmo quando estiveres distraído

a contar estórias tristes

de saudades passadas.

Virá sempre!

 

Ah, como virá!

E tão primaveril...

a Primavera!

 

 

by Paulo César, em 07.Out.2009, pelas 20h15


 


sinto-me: remoçado
Palavras chave: , , ,

publicado por Paulo César às 10:16
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1 comentário:
De rosafogo a 10 de Outubro de 2009 às 00:47
A Primavera é bem mais bonita, não se pensa sequer
na incerteza do amanhã, mal se tem tempo para se viver, abunda a esperança, sorri a Vida, tudo tem
mais ardor, vês como eu sempre tenho razão.

Não esperava encontrar este belíssimo poema, ainda que vim até cá.
Também para te desejar um bom fim de semana, na companhia dos que amas.

abraço
natalia


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