Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
Jogo de espelhos

 

No plano, a imagem

Desconstroi a imagem

E mostra, olhos nos olhos,

As rugas do tempo,

Os sulcos do esforço,

As cãs, como erupções

De cansaço,

De dor,

De desespero lento,

De ausência...


A pele gretada, rugosa

Como casca,

É o mapa da vida

Sinuosa

Que transporta no âmago

E que silencia para gritar

Mais alto

Quando já ninguém

Quer ouvir.


Os braços são ramos velhos,

As pernas troncos ocos

E a seiva, à míngua de respeito,

Corre como se marchasse apenas

Ao encontro dum ponto

Neutro e abstracto,

No lugar mais distante

E tão próximo

- Vizinho a quem não se fala,

que não se quer conhecer,

mas que todos os dias se cruza

na escada

e sobe no elevador -

A morte!


E um dia, ao olhar o espelho baço,

A imagem surge clara e cristalina,

Com um sorriso largo e pueril

E os braços abertos,

Como se convidasse à ternura,

E vagarosamente

Transpomos o lado físico

E lançamo-nos à aventura

Da descoberta do outro lado

Da película prateada

Onde tudo se reflecte

E nada adere

Para sempre.


Para sempre é

Uma medida sem tamanho

Que não ousamos

Levar a sério

E no entanto

Esse tempo virá

E nele descansaremos enfim,

Para sempre,

Sem metáforas

Ou ocasionais jogos de espelhos.

 

by Paulo César, em 06.Dez.2006, pelas 08h30


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publicado por Paulo César às 09:21
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