Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Por acaso...

 

Por acaso é ao acaso
Ou o acaso só acontece
Pela força da teimosia?
 
A solidão é, por acaso,
A mesma face da dor?
É, por acaso, a saudade
O reflexo claro do amor?
Que explicação para a luz
Que, por acaso, irradia
Dum sorriso sem tamanho
À luz do sol do meio-dia?
 
E quando me prostro rendido
Numa oração que não digo
É por caso que sinto
Ser capaz do destemor
De tudo dar, corpo e alma,
E nu, assim, e mendigo,
E despojado, e liberto,
Achar no pó do deserto
O tesouro do amor?
 
Que mãos buscam, tacteando,
Corpos cegos, harmonia?
Que olhos abertos, enxergando,
Só vêem trevas, agonia?
Que sentimentos mal sãos
Aprisionados pelo ódio
Transmudam em pedras as mãos
Que antes se davam luzentes,
Elos, cadeias, correntes
Onde a paz livre se achava
No abraço que se dava
A todo o homem ser igual,
- Quartzo, gema, pérola, cristal,
Lágrima vivaz, alegria,
Poema, bouquet de magia,
Princípio e fim… Que sei eu! -
E, sob o vasto azul do céu,
Todos cabiam no pódio:
 
Raso, chão, horizontal, plano,
Terra a terra, apenas humano!
 
Será tudo isto por acaso?
  
by Paulo César, em 23.Jun.2009, pelas 22h30

sinto-me: interrogativo
Palavras chave: , ,

publicado por Paulo César às 09:00
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4 comentários:
De Susana Falhas a 25 de Junho de 2009 às 19:36
Boa noite, em nome da organização de blogagem colectiva Aldeia da Minha Vida, quero agradecer a sua participação, na qualidade de leitor(a) e eleitor(a) pelo seu contributo para o sucesso da mesma.
Dia 30 de Junho serão publicados os resultados. Até lá, um bom fim-de-semana!
Susana Falhas
www.aldeiadaminhavida.blogspot.com


De Mírtilo MR a 25 de Junho de 2009 às 19:44
Bom poema de feição interrogativa, de dúvida, o que é ou deve ser próprio dos humanos, embora estes queiram sempre, como também é próprio deles, saber tudo, e de certo modo é difícil saber até onde pode ir o engenho inteligencial do homem.
«Caso», «acaso» e «ocaso» ... Palavras irmãs ... que se afastaram, como em tantos casos («casos» ...), e cada qual foi para seu lado, por aí, com a «competência» que o homem lhes deu ao vertir-lhes ou não um simples prefixo, no tempo em que o homem progredia tanto, ou quase, no campo linguístico como nos das ciências e artes. E, assim, como o homem não é um deus, embora o queira ser, ficou restringido aos «casos», ficando os «acasos» na mão do destino e os «ocasos» na mão de Deus. Por isso, o que escapa ao homem, à sua acção ou inteligência, é «acaso», embora ele lute por dominar «acasos». E acaso o conseguirá? É a mesma dúvida do poema. Mas já houve muitos «acasos» que o homem passou a dominar, o que pode fazer subentender que outros poderá vir a domar, nesta era de tão espectaculares tecnologias.

Cumprimentos amistosos.
Mírtilo


De Paulo César a 5 de Julho de 2009 às 08:55
Caro Mirtilo,

Já há dias que vi o seu comentário e só não respondi, porque nem sempre respondo. Mas sei que os tenho, pois logo que são publicados recebo um mail de "aviso.
Obrigado pela análise e pela avaliação. De resto o que faço é simplesmente transpor para o papel as interrogações que por acaso (serão por acaso?) me assaltam.
Um braço e até sempre.
Paulo César


De rosafogo a 27 de Junho de 2009 às 14:31
Depois de ler os comentários aqui deixados, por amigos que também são meus e que estimo, resta-me perguntar-te... acaso tens dúvidas de serem belas as palavras com que compões teus poemas? Talvez seja o caso de eu que mal sei ler, mas que sou sensível, te dizer que és digno de admiração.

Um abraço
Natalia


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