Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Poema para uma princesa

 


 

Fundos teus olhos choram
A dor duma perda
Inesperada...
 
Angustiada tua alma
Clama por justiça
Adiada...
 
Tuas mãos tremem
No abandono frio das noites
Na claridade abismal dos dias
Na ausência feroz das horas
Na sincopada cadência dos minutos
Que se esfumam
Enquanto as entranhas do teu ser
Se revolvem incapazes dum grito
Que fosse guilhotina ou seta
Capaz de trespassar a indiferença
De quantos rodopiam
Como borboletas zonzas em noites de luar
À luz fosca dos candeeiros das ruas
Desertas.
 
Teu corpo vai como autómato
E a tua mente ferve numa vingança
Que dói, num aniquilamento que corrói,
Numa vontade de instilar mais dor
Na dor que sente, que irrompe dos poros,
Que alastra sem aviso ou medo
E inunda os cantos todos das ideias,
Os tempos todos do dia, os momentos
Mais íntimos e mais secretos.
 
Nuvens negras pairam no ar carregado
Onde um odor estranho sabe bem
E uma luz sombria embriaga,
Levando a vontade à submissão.
 
Já nada pode mais que estar ausente,
Que estar além,
Que sentir-se só, e isolado numa solidão
De mudez e abandono.
 
Já nada pode mais do que ser
Um grão de pó que ninguém veja,
Mas todos pisem...
 
Já nada pode tanto que valha a pena
Continuar...
 
E ainda assim, vale a pena...
Porque a alma não é pequena!
 
26.10.07 - 16H00

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publicado por Paulo César às 16:53
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